Já fui melhor.
E já fui pior.
Já fui embora quando amanhecia.
E já fiquei.
Já vi o sol nascer.
E já fui embora antes.
Já fui melhor mesmo.
Hoje saio.
Só pra beber.
Talvez rir um pouco.
E beber.
Não sou mais o mesmo.
Queria me encontrar.
O sol nascendo é lindo.
E ter que ir embora nesse momento é o que menos quero.
Me desculpe.
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segunda-feira, 4 de julho de 2011
Plano
Temos. Temos um plano. E uma ideia. Mas estou sozinho. Assim mesmo, no singular. O bom português não vai nos salvar. Na hora de me dar a mão, ou de me dar bom dia no ouvido, estou sozinho. Como sempre. Aqui. E hoje. No inverno fica tarde mais cedo. Eu sei. Sei mesmo. E mesmo que não soubesse, ia sentir igual. Do mesmo jeito. As pequenas coisas da vida tem mais valor que as pessoas costumam dar. Brilho no olho é mais importante que dinheiro. Vento na cara e frio na barriga, mais importantes que um diploma. Mas e daí? É preciso dividir até essas pequenas coisas.
Como um café, ou um chá de hortelã.
Como um café, ou um chá de hortelã.
Nó
Nós. Nós dois.
Um nó. Nós.
Nossa história.
Um nó cego.
Uma corda no pescoço.
A alma no sufoco.
A vida em preto-e-branco
outro nó.
Outros de nós.
Iguais a nós.
A escuridão é só a ausência de luz.
Nós mesmos não sabemos
desfazer esse
nó.
um nó nos ata
uma vida nos prende
Um nó. Nós.
Nossa história.
Um nó cego.
Uma corda no pescoço.
A alma no sufoco.
A vida em preto-e-branco
outro nó.
Outros de nós.
Iguais a nós.
A escuridão é só a ausência de luz.
Nós mesmos não sabemos
desfazer esse
nó.
um nó nos ata
uma vida nos prende
domingo, 3 de julho de 2011
Motivo
Ainda aqui, menina.
Ainda aqui.
Sentado.
Esperando.
Sem saber o que fazer
e
ainda assim
fazendo.
Não há muito o que fazer.
Até que haja.
Vivendo.
Morrendo a cada dia.
A cada segundo.
Como se sentisse a areia da ampulheta do tempo escorrer.
Sentindo a dureza de cada giro da Terra.
Sem saber se choro ou se sorrio a cada pôr-do-sol.
Cada vez
mais perto
do
fim.
E sem fazer nenhum sentido.
Sem encontrar.
Sentido
ou
motivo.
Ainda aqui.
Sentado.
Esperando.
Sem saber o que fazer
e
ainda assim
fazendo.
Não há muito o que fazer.
Até que haja.
Vivendo.
Morrendo a cada dia.
A cada segundo.
Como se sentisse a areia da ampulheta do tempo escorrer.
Sentindo a dureza de cada giro da Terra.
Sem saber se choro ou se sorrio a cada pôr-do-sol.
Cada vez
mais perto
do
fim.
E sem fazer nenhum sentido.
Sem encontrar.
Sentido
ou
motivo.
sábado, 2 de julho de 2011
Noite
Uma noite sem você.
Mais uma.
Longas noites de inverno.
Consigo ouvir lá fora, menina
o assobio do vento sul.
Minuano.
A solidão do litoral
parece ter se instalado dentro de
mim.
Com direito a rajadas de vento na beira mar.
No mar da minha alma.
Ou seria um rio, quase inundando.
Não sei te dizer.
Outra noite sem você.
E mais outra.
Ad infinitum, talvez
Mais uma.
Longas noites de inverno.
Consigo ouvir lá fora, menina
o assobio do vento sul.
Minuano.
A solidão do litoral
parece ter se instalado dentro de
mim.
Com direito a rajadas de vento na beira mar.
No mar da minha alma.
Ou seria um rio, quase inundando.
Não sei te dizer.
Outra noite sem você.
E mais outra.
Ad infinitum, talvez
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Madrugada
Rouco.
Madrugado.
Lábios rachados pelo frio
e manchados
pelo vinho.
Cabeça estourando.
Quase perdi a hora.
Gritando com as paredes.
Como se elas tivessem culpa?
Quero.
Eu quero.
Acordar de manhã.
Na boca, teu gosto.
Gosto de noite feliz.
Ao teu lado.
Acordar contigo.
Seria pedir muito
se tu pudesse
ao
menos
não me deixar?
Sim, eu sei.
Tenho que te encontrar primeiro.
E quem sabe a gente possa ter
uma noite
feliz.
Madrugado.
Lábios rachados pelo frio
e manchados
pelo vinho.
Cabeça estourando.
Quase perdi a hora.
Gritando com as paredes.
Como se elas tivessem culpa?
Quero.
Eu quero.
Acordar de manhã.
Na boca, teu gosto.
Gosto de noite feliz.
Ao teu lado.
Acordar contigo.
Seria pedir muito
se tu pudesse
ao
menos
não me deixar?
Sim, eu sei.
Tenho que te encontrar primeiro.
E quem sabe a gente possa ter
uma noite
feliz.
Um pouco de confusão
Antes eu te amava. E agora eu não sei mais o que faço. Tudo é sempre tão complicado.
O medo e a solidão. Ou o medo da solidão. A dor e a perda. Ou a dor da perda. Tudo não passa de um jogo de palavras e tudo que preciso é paz. Talvez uma morena companhia, ou o brilho dos teus olhos castanhos me olhando. Ou nada disso. Imagine que louco seria, se eu tivesse com quem jantar as vezes?
Ou que louco seria se a vida fosse mais fácil?
Mas ela não é. E das oito ás seis eu sou diferente. É preciso ser assim. Mas saiba que estarei aqui. Ou ali. Ou passeando pelo Centro domingo de manhã. Ali na Praça da Matriz ou no Gasômetro.
Talvez a gente se encontre. Talvez... talvez a gente encontre explicação, não é mesmo?
São muitas opções. Muitos talvezes, muitos destinos em cada esquina. Não sei pra onde ir, não sei se quero ficar.
Ficar. Se eu pudesse só ficar. E deixar estar.
O medo e a solidão. Ou o medo da solidão. A dor e a perda. Ou a dor da perda. Tudo não passa de um jogo de palavras e tudo que preciso é paz. Talvez uma morena companhia, ou o brilho dos teus olhos castanhos me olhando. Ou nada disso. Imagine que louco seria, se eu tivesse com quem jantar as vezes?
Ou que louco seria se a vida fosse mais fácil?
Mas ela não é. E das oito ás seis eu sou diferente. É preciso ser assim. Mas saiba que estarei aqui. Ou ali. Ou passeando pelo Centro domingo de manhã. Ali na Praça da Matriz ou no Gasômetro.
Talvez a gente se encontre. Talvez... talvez a gente encontre explicação, não é mesmo?
São muitas opções. Muitos talvezes, muitos destinos em cada esquina. Não sei pra onde ir, não sei se quero ficar.
Ficar. Se eu pudesse só ficar. E deixar estar.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Conhaque
Acendo um cigarro comum. Dedos e sorriso amarelos. Mãos geladas. Pés molhados. Chuva de inverno, me molho até a alma. Encharco minhas roupas. Peço um conhaque na bar e um isqueiro novo. Cotovelos já acostumados a um balcão de bar. E é como se o banco tivesse se ajustado a mim.
O barman me alcança uma toalha pra secar os cabelos e me indica com os olhos, um filme que passa, na televisão ao longe. Não vejo direito, a fumaça impede. Só vejo alguém vindo.
Quem vem lá? Na fumaça de um bar?
Quem vem?
Ninguém. Certamente não era pra mim.
Acabo com esse conhaque e peço outro.
Está frio lá fora.
A chuva castiga a cidade.
Como se quisesse lavar algo nas ruas.
Se for pra me lavar, chuva, vai ter que esperar quando eu sair daqui.
Acendo outro cigarro e não consigo pensar em muita coisa.
Além de tudo que tenho passado.
Me permito, ás vezes, ser egoísta e pensar em mim.
Como se adiantasse algo.
Saio do bar e deixo a chuva invernal (ou seria infernal?) me lavar.
Mais tarde a chuva para, e tenho certeza que era a mim que ele queria lavar.
Durmo, sem querer acordar.
O barman me alcança uma toalha pra secar os cabelos e me indica com os olhos, um filme que passa, na televisão ao longe. Não vejo direito, a fumaça impede. Só vejo alguém vindo.
Quem vem lá? Na fumaça de um bar?
Quem vem?
Ninguém. Certamente não era pra mim.
Acabo com esse conhaque e peço outro.
Está frio lá fora.
A chuva castiga a cidade.
Como se quisesse lavar algo nas ruas.
Se for pra me lavar, chuva, vai ter que esperar quando eu sair daqui.
Acendo outro cigarro e não consigo pensar em muita coisa.
Além de tudo que tenho passado.
Me permito, ás vezes, ser egoísta e pensar em mim.
Como se adiantasse algo.
Saio do bar e deixo a chuva invernal (ou seria infernal?) me lavar.
Mais tarde a chuva para, e tenho certeza que era a mim que ele queria lavar.
Durmo, sem querer acordar.
Tristeza
Madrugada.
Fria, como toda madrugada merece ser.
Sinto uma vontade
aqui.
Aqui dentro de mim.
Menina.
Se tu soubesse.
O efeito.
Essas madrugadas solitárias.
Elas estão me matando.
Aos poucos.
Quase como a vida toda.
Que está me matando.
Devagar.
Dia após dia.
A cada madrugada sozinho,
a cada jantar solitário.
Aos poucos.
Vou sumindo.
Desintegrando.
Devagar.
A cada olhar refletido no espelho.
A tristeza e a desilusão.
Fria, como toda madrugada merece ser.
Sinto uma vontade
aqui.
Aqui dentro de mim.
Menina.
Se tu soubesse.
O efeito.
Essas madrugadas solitárias.
Elas estão me matando.
Aos poucos.
Quase como a vida toda.
Que está me matando.
Devagar.
Dia após dia.
A cada madrugada sozinho,
a cada jantar solitário.
Aos poucos.
Vou sumindo.
Desintegrando.
Devagar.
A cada olhar refletido no espelho.
A tristeza e a desilusão.
História
Histórias de amor que não deram certo. É o que mais há. É o que mais temos. Tanto de exemplos quanto de experiência. E apesar dos pesares. Apesar de tudo, nós nos concentramos nas que deram certo. Por que no fundo, no fundo, a gente sabe que a nossa pode dar certo. Mesmo que difícil, sem saber o que falar, ou fazer. Mesmo que aos trancos e barrancos, se a gente quiser mesmo, pode dar certo. Histórias estão aí. Romeu e Julieta deram certo. Até o fim. Por mais trágico que tenha sido, eles deram certo. Vá saber, não é? Há histórias e estórias. E que se dane a nova regra gramatical. Vem.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Solidão
Solidão.
Frio. Inverno.
Um café.
Duplo, por favor.
Quando a gente passa muito tempo sozinho,
acaba reparando nas pequenas belezas da vida.
Como uma criança rindo de um cachorro,
ou
os três brinquinhos na orelha esquerda da guria no trem.
Queria sentir de novo.
Gostar sozinho não é bom.
Sinto nos lábios o sal das lágrimas.
Ouço as musicas que me fizeram sorrir a algum tempo atrás.
Me sinto aqui.
Me sinto longe.
Não mais sinto.
Só consigo sentir.
Todas mañanas que viví
Todas las calles onde me escondí.
Todas lágrimas que derrubei.
Sol-lhe-dão
Frio. Inverno.
Um café.
Duplo, por favor.
Quando a gente passa muito tempo sozinho,
acaba reparando nas pequenas belezas da vida.
Como uma criança rindo de um cachorro,
ou
os três brinquinhos na orelha esquerda da guria no trem.
Queria sentir de novo.
Gostar sozinho não é bom.
Sinto nos lábios o sal das lágrimas.
Ouço as musicas que me fizeram sorrir a algum tempo atrás.
Me sinto aqui.
Me sinto longe.
Não mais sinto.
Só consigo sentir.
Todas mañanas que viví
Todas las calles onde me escondí.
Todas lágrimas que derrubei.
Sol-lhe-dão
terça-feira, 28 de junho de 2011
Coração burro
Eu tenho um coração grande, ela me diz.
Grande demais.
Nenhum coração é grande demais, guria - eu rebato.
Todo coração tem o tamanho e os motivos que merece ter.
Então meu coração é burro – diz ela, teimosa.
Todo coração é burro - digo – até que encontre motivo pra deixar de ser.
Ou encontre um outro coração burro. E se ambos se gostarem, talvez deixem de ser.
O meu é um.
Burro e sozinho, um pouco que ao contrário
dos outros
burros.
Grande demais.
Nenhum coração é grande demais, guria - eu rebato.
Todo coração tem o tamanho e os motivos que merece ter.
Então meu coração é burro – diz ela, teimosa.
Todo coração é burro - digo – até que encontre motivo pra deixar de ser.
Ou encontre um outro coração burro. E se ambos se gostarem, talvez deixem de ser.
O meu é um.
Burro e sozinho, um pouco que ao contrário
dos outros
burros.
Ir e voltar
Fui e voltei.
Sempre sentindo.
Queria não precisar sentir
ou
demonstrar tanto sentir.
Algumas pessoas são assim.
Parece ser tão melhor.
Nunca pensei que minha sina seria essa.
O amargo dum doce de beijo.
Lágrimas de novo correm pelo meu rosto, molhando minha barba por fazer
e salgando meus lábios e minha palavras.
Fui e voltei.
Senti demais.
Perdi muito
e
ganhei pouco.
Como dizem os jogadores “ a banca paga e a banca recebe”
Sol-lhe-dão
Sempre sentindo.
Queria não precisar sentir
ou
demonstrar tanto sentir.
Algumas pessoas são assim.
Parece ser tão melhor.
Nunca pensei que minha sina seria essa.
O amargo dum doce de beijo.
Lágrimas de novo correm pelo meu rosto, molhando minha barba por fazer
e salgando meus lábios e minha palavras.
Fui e voltei.
Senti demais.
Perdi muito
e
ganhei pouco.
Como dizem os jogadores “ a banca paga e a banca recebe”
Sol-lhe-dão
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Ela disse-me assim
Uma amiga disse
que sentia tesão por mim.
Mas só tesão.
Não era amor
e
nunca seria.
Pelo menos pra alguma coisa eu sirvo.
que sentia tesão por mim.
Mas só tesão.
Não era amor
e
nunca seria.
Pelo menos pra alguma coisa eu sirvo.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Complicado
Morando a pouco tempo nessa cidade. Estou um tanto perdido ainda. Mas perdido eu me sinto em qualquer lugar. Ê menina, as coisas tem ficado mais difíceis agora. Temos a ideia e o plano. Vamos tentar seguir com eles.
Quem sabe outro dia, quem sabe outra rua. Há infinitas possibilidades em cada esquina, em cada olhar.
Morando a pouco tempo aqui, tentando me adaptar. Tentando. Eu juro que tô. To sozinho, to quieto, to poeta. To andando pelas ruas e olhando pra cima. To vendo os passarinhos e pensando em ti. Eu to, to sim.
Eu vejo as crianças no parque e lembro de ti. Tão longe, querendo estar tão perto. To aqui, andando pelas ruas e praças, procurando me encontrar. Topar comigo mesmo numa esquina, num coreto. Num balcão da bar. Dar um abraço em mim mesmo e perguntar por onde andei esse tempo todo. E dizer que sinto saudade, é verdade.
Morando aqui. Sozinho. Estranha boa velha sensação. Tentando me encontrar. Sem me perder. Complicado. Tentando juntar os pedaços de mim, subindo ladeiras e descendo escadarias.
Morar na cidade que sempre quis. Querendo me encontrar e te encontrar. Sem me perder. Pra não te perder. Complicado mesmo, viu?
Quem sabe outro dia, quem sabe outra rua. Há infinitas possibilidades em cada esquina, em cada olhar.
Morando a pouco tempo aqui, tentando me adaptar. Tentando. Eu juro que tô. To sozinho, to quieto, to poeta. To andando pelas ruas e olhando pra cima. To vendo os passarinhos e pensando em ti. Eu to, to sim.
Eu vejo as crianças no parque e lembro de ti. Tão longe, querendo estar tão perto. To aqui, andando pelas ruas e praças, procurando me encontrar. Topar comigo mesmo numa esquina, num coreto. Num balcão da bar. Dar um abraço em mim mesmo e perguntar por onde andei esse tempo todo. E dizer que sinto saudade, é verdade.
Morando aqui. Sozinho. Estranha boa velha sensação. Tentando me encontrar. Sem me perder. Complicado. Tentando juntar os pedaços de mim, subindo ladeiras e descendo escadarias.
Morar na cidade que sempre quis. Querendo me encontrar e te encontrar. Sem me perder. Pra não te perder. Complicado mesmo, viu?
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Flores, menina
Eu gosto tanto de você. Menina. Teu jeito de arrumar os óculos e quando fala comigo, fica séria. Fica forte. Gosto tanto do teu lado que me protege. Me sinto tão mais forte ao teu lado.
Menina. Teu cabelo bagunçado me faz ter certeza que somos capazes de enfrentar o mundo. Me faz ter certeza que acima do céu fechado, existe um sol que brilha.
Me sinto tão mais bobo quando estou contigo e tu me fala de coisas tão banais, como ter que correr pra pegar o ônibus. Ou como o professor de cálculo pega no teu pé. E teu olhar, quando tu observa as pessoas na fila do pão, sussurrando baixinho no meu ouvido o que tu acha que as pessoas vão comprar.
Adoro esse teu jogo, adoro teus olhos brilhando. Tua cara pensativa ao ver um bebê. E o modo de dizer que estou fazendo tempestade em copo d'água. E quando me olha séria, arruma os óculos e diz que gosta muito de mim.
Não sei quantas vezes já te disseram que te amam. Pessoas que hoje não estão contigo. Que hoje nem te olham na cara. Nós dois sabemos: eu te amo não diz tudo. E nem precisa.
Sentir é mais importante que falar. Eu e tu, andando por aí, enfrentando o vento do outono, menina, teus olhos brilham, o nariz ( que nariz lindo, menina!) com a ponta vermelha por conta do frio. Teus três brincos na orelha direita e a tatuagem pequena. E o arrepio na nuca.
Queria que alguém me explicasse esse perfume de flores que me segue na rua, o tempo todo, em pleno outono. Tudo cheira a flores, o mundo todo.
Menina. Teu cabelo bagunçado me faz ter certeza que somos capazes de enfrentar o mundo. Me faz ter certeza que acima do céu fechado, existe um sol que brilha.
Me sinto tão mais bobo quando estou contigo e tu me fala de coisas tão banais, como ter que correr pra pegar o ônibus. Ou como o professor de cálculo pega no teu pé. E teu olhar, quando tu observa as pessoas na fila do pão, sussurrando baixinho no meu ouvido o que tu acha que as pessoas vão comprar.
Adoro esse teu jogo, adoro teus olhos brilhando. Tua cara pensativa ao ver um bebê. E o modo de dizer que estou fazendo tempestade em copo d'água. E quando me olha séria, arruma os óculos e diz que gosta muito de mim.
Não sei quantas vezes já te disseram que te amam. Pessoas que hoje não estão contigo. Que hoje nem te olham na cara. Nós dois sabemos: eu te amo não diz tudo. E nem precisa.
Sentir é mais importante que falar. Eu e tu, andando por aí, enfrentando o vento do outono, menina, teus olhos brilham, o nariz ( que nariz lindo, menina!) com a ponta vermelha por conta do frio. Teus três brincos na orelha direita e a tatuagem pequena. E o arrepio na nuca.
Queria que alguém me explicasse esse perfume de flores que me segue na rua, o tempo todo, em pleno outono. Tudo cheira a flores, o mundo todo.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Telefone
Ao telefone.
Como se a vida estivesse por um fio.
Mesmo que o telefone não tenha fio.
Fio da navalha.
É difícil caminhar sobre o fio da navalha.
É difícil seguir sem rumo.
Um nó.
Dois nós.
Nós dois.
Um par de olhos castanhos e
nada mais.
Um brilho triste
um pálido reflexo e
nada mais.
Tudo é tão pouco ou eu estou exigente?
Vidas passadas, vidas vazias.
Vidas.
Qual o contrário da vida?
Sem rumo, sem mapa.
Livre demais pra voar.
Pesado demais pra navegar.
Como se a vida estivesse por um fio.
Mesmo que o telefone não tenha fio.
Fio da navalha.
É difícil caminhar sobre o fio da navalha.
É difícil seguir sem rumo.
Um nó.
Dois nós.
Nós dois.
Um par de olhos castanhos e
nada mais.
Um brilho triste
um pálido reflexo e
nada mais.
Tudo é tão pouco ou eu estou exigente?
Vidas passadas, vidas vazias.
Vidas.
Qual o contrário da vida?
Sem rumo, sem mapa.
Livre demais pra voar.
Pesado demais pra navegar.
Futuro
Dias bons dias ruins.
Dias apenas.
Dias que penamos.
Dias.
Os dias passam.
Fico aqui, sentado.
Sentindo
o mundo girar.
Te sentir. Te tocar.
Talvez tenha sido um sonho.
Um sonho tão bom.
Me assustei.
Sentir tua pele,
teu cheiro.
Teu suor,
teu beijo.
Como vai ser o futuro?
Há futuro?
Prevejo dias de dor por aí...
Dias apenas.
Dias que penamos.
Dias.
Os dias passam.
Fico aqui, sentado.
Sentindo
o mundo girar.
Te sentir. Te tocar.
Talvez tenha sido um sonho.
Um sonho tão bom.
Me assustei.
Sentir tua pele,
teu cheiro.
Teu suor,
teu beijo.
Como vai ser o futuro?
Há futuro?
Prevejo dias de dor por aí...
domingo, 5 de junho de 2011
Erro
Um erro de cálculo. Um nó na garganta. Dois nós na corda. Nós dois na corda bamba.
Mostrar a loucura me faz menos louco?
Deus talvez não exista. Mas anjos existem.
Uns minutos no telefone pode ser a diferença entre vida e morte.
Falar o que se sente pode ser a diferença.
Um nó na garganta. Uma corda no pescoço. Um par de olhos castanhos, uma alma no sufoco.
É como se eu estivesse afundando. Com o rosto pra fora, tentando respirar.
O supremo desgosto de ser um fracasso. Um fraco.
Mostrar a loucura me faz menos louco?
Deus talvez não exista. Mas anjos existem.
Uns minutos no telefone pode ser a diferença entre vida e morte.
Falar o que se sente pode ser a diferença.
Um nó na garganta. Uma corda no pescoço. Um par de olhos castanhos, uma alma no sufoco.
É como se eu estivesse afundando. Com o rosto pra fora, tentando respirar.
O supremo desgosto de ser um fracasso. Um fraco.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Máximo
O máximo de mim tem sido pouco.
Quando será que vai ser o suficiente?
Com todos.
Desde sempre.
Com todas.
Desde quase sempre.
A culpa deve ter sido minha, pra variar.
E alguém já disse,
é sempre tarde demais.
Quando será que vai ser o suficiente?
Com todos.
Desde sempre.
Com todas.
Desde quase sempre.
A culpa deve ter sido minha, pra variar.
E alguém já disse,
é sempre tarde demais.
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