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domingo, 14 de agosto de 2011

Ultimo Soldado

Só
lutando
como o último soldado
na trincheira.

Sentindo até
o mesmo frio e a mesma chuva.


Como o último soldado
vivo
na trincheira
paro
de atirar por uns instantes
e escrevo
a carta de despedida


querendo que ela
nunca seja lida.

Dou alguns tiros
e vejo
quantas balas ainda tenho.
Poucas.

Ou o batalhão de reforço
chega logo

ou a morte heróica, lutando
com uma faca
contra inimigos
sem sentido.

Não ouço
o tropel
do reforço.

E ouço, vezenquando
os tiros a esmo do inimigo.

Hora dessas ele acerta.

Ainda não terminei minha carta de despedida
mas guardo ela
levanto a cabeça e atiro.

Quase um kamikase.
Sigo
escolhendo bem
os tiros.
Não posso desperdiçar munição.

Não sei
quando
o reforço vai chegar
se é que
vai chegar.

O último soldado
vivo
na trincheira
na última curva.


No meio
da guerra.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

II

Alice.

Estamos tão longe, tão perto.

Mais perto que longe.
Cada passo, lembro de ti.

Complicado.

Mas vamos aguentar.

Que se há de fazer, não é?


Vezenquando eu passeio por aí.

Térmica debaixo do braço.
Alpargatas arrastando.

Finjo que estou bem.
Finjo que seguro tua mão.


Enquanto espero.

Que
em breve

eu possa parar de fingir.

Pedido

Sinceramente?
Só pra ti.
Tenho pensado
nisso.
Na ultima semana.

Quero fazer tudo diferente agora.
Quero que tu seja a única.
A primeira.

A minha
guria.
Quero que tu seja essa.

Por muito tempo. Vou fazer tudo certo,
to juro.

Vou fazer diferente.
Tu me deu essa chance.
Quer ser minha guria?


Porto Alegre, inverno de 2011

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Chove

Adoro quando chove.
Mas dizem que preciso de um bom guarda-chuva.

Não sei se é disso que preciso.
Preciso
É da tua mão
na minha.

Debaixo da chuva.
Uma fina chuva de verão

preciso
do teu sorriso
e do teu riso

preciso

de um pouco mais de calor
e de
muito mais de nós dois.
Juntos.



(um breve adendo:
comprei um guarda-chuva.
grande.
pra caber nós dois)

Por que

Porquê?


Não sei.
Mas tudo que olho, me lembro de ti,
eu fecho os olhos
e
lembro teu sorriso
e teu riso.


Me deito na cama
e sinto
teu cheiro.
Abraço o travesseiro
e sinto tua
pele
teu calor.

Lembro teus olhos
fechados enquanto
eu te
acarinhava.

Porquê?
Não sei.

Só sei que sinto.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Deito

Cada vez que me
deito
lembro
do teu corpo

ao lado do meu.
Do teu abraço
até eu adormecer

Lembro.

E espero.

Sei que um dia
vamos estar
juntos de novo.


E será em breve, guria.

Alice

Vemk.

Vê se não vai deixar nossos momentos
lindos
juntos

nossos

passarem assim, em branco.


Vem aqui e pega minha mão.


Me deixa sentir de novo

a macia pele tua.


Me deixa sentir de novo
o calor
da tua mão na minha.

Me faz sentir de novo
o
que eu
já não sentia mais.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Nó

Nós. Nós dois.
Um nó. Nós.
Nossa história.
Um nó cego.
Uma corda no pescoço.
A alma no sufoco.
A vida em preto-e-branco
outro nó.

Outros de nós.
Iguais a nós.
A escuridão é só a ausência de luz.
Nós mesmos não sabemos
desfazer esse
nó.
um nó nos ata
uma vida nos prende

domingo, 3 de julho de 2011

Motivo

Ainda aqui, menina.
Ainda aqui.
Sentado.
Esperando.
Sem saber o que fazer
e
ainda assim
fazendo.

Não há muito o que fazer.
Até que haja.

Vivendo.
Morrendo a cada dia.

A cada segundo.
Como se sentisse a areia da ampulheta do tempo escorrer.

Sentindo a dureza de cada giro da Terra.
Sem saber se choro ou se sorrio a cada pôr-do-sol.

Cada vez
mais perto
do

fim.


E sem fazer nenhum sentido.
Sem encontrar.
Sentido
ou

motivo.

sábado, 2 de julho de 2011

Aos meus amigos

Estamos aqui, amigos.


Nós e alguns outros.
Nós e nossas bebedeiras.
Nosso time perdeu.
Vamos em frente.
Bebemos mais uma, amigos.


Ligaremos pras moças que gostamos e faremos elas rirem.
É o máximo que consigo por enquanto mesmo.


Quem inventou a razão, a emoção desconhece.
Orgulhosamente seguimos bêbados.
Bulinando uns com os outros
e
rindo
da nossa própria cara.


Me sinto feliz pela felicidade de vocês.
Merecem.

Quanto a mim

tragam mais uma, por favor.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

História

Histórias de amor que não deram certo. É o que mais há. É o que mais temos. Tanto de exemplos quanto de experiência. E apesar dos pesares. Apesar de tudo, nós nos concentramos nas que deram certo. Por que no fundo, no fundo, a gente sabe que a nossa pode dar certo. Mesmo que difícil, sem saber o que falar, ou fazer. Mesmo que aos trancos e barrancos, se a gente quiser mesmo, pode dar certo. Histórias estão aí. Romeu e Julieta deram certo. Até o fim. Por mais trágico que tenha sido, eles deram certo. Vá saber, não é? Há histórias e estórias. E que se dane a nova regra gramatical. Vem.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Solidão

Solidão.
Frio. Inverno.
Um café.
Duplo, por favor.
Quando a gente passa muito tempo sozinho,
acaba reparando nas pequenas belezas da vida.
Como uma criança rindo de um cachorro,
ou
os três brinquinhos na orelha esquerda da guria no trem.

Queria sentir de novo.
Gostar sozinho não é bom.

Sinto nos lábios o sal das lágrimas.
Ouço as musicas que me fizeram sorrir a algum tempo atrás.
Me sinto aqui.
Me sinto longe.
Não mais sinto.
Só consigo sentir.
Todas mañanas que viví
Todas las calles onde me escondí.
Todas lágrimas que derrubei.
Sol-lhe-dão

Morena do T7

Te vi.

Tenho certeza que te vi, morena.

Não pode ter sido uma alucinação, afinal, eu estava sóbrio.
De ressaca, mas sóbrio.
Estava ali, na João Pessoa, tentando atravessar, e eis que surge o T7.
Algumas lembranças me vem a mente e opa!
Te vi. Na janela. Do lado da cá.
É um sábado de manhã e eu te vi.
O ônibus passa devagar, preguiçoso como um gato ao sol.
E eu consigo te ver, morena da boina.

Com a mesma boina. Os mesmos lábios vermelhos e a nariz pequeno, reto.

A mesma expressão pensativa e cansada. Eu te vi, moça.
Naquele outro sábado de manhã.
E mais uma vez, fiquei sem reação.
Qual teu nome?
Onde te encontro?
Eu sei que te vi de novo.
Será que um dia eu esbarro em ti, nesse cidade tão grande e tão pequena?

Tantas falsas esperanças pra esse pobre coração remendado.

terça-feira, 28 de junho de 2011

No inverno

Até o outono eu esperei.
É inverno agora.
Está nevando na Serra, dizem.


É inverno agora
e continuo
esperando.

Sentado esperando
a vida.

Um motivo
uma causa
ou um
amor.

É inverno agora.

Imagino teu pescoço, protegido por um cachecol.
Imagino teu cheiro.
Imagino tanta coisa.


Preciso parar com isso.
No inverno tudo fica mais difícil.
No inverno, aos domingos e nas madrugadas.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Domingo

Sentado aqui, num domingo qualquer.

Os domingos conseguem ter em mim
um efeito
quase igual aos
das
madrugadas.
Sentir saudade.
Sentir vontade.
De te ter.
De te ver.
De chorar.


Embora,
em todas madrugadas
a falta que sinto, seja
um pouco diferente
do falta que sinto

aos domingos.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Flores, menina

Eu gosto tanto de você. Menina. Teu jeito de arrumar os óculos e quando fala comigo, fica séria. Fica forte. Gosto tanto do teu lado que me protege. Me sinto tão mais forte ao teu lado.


Menina. Teu cabelo bagunçado me faz ter certeza que somos capazes de enfrentar o mundo. Me faz ter certeza que acima do céu fechado, existe um sol que brilha.
Me sinto tão mais bobo quando estou contigo e tu me fala de coisas tão banais, como ter que correr pra pegar o ônibus. Ou como o professor de cálculo pega no teu pé. E teu olhar, quando tu observa as pessoas na fila do pão, sussurrando baixinho no meu ouvido o que tu acha que as pessoas vão comprar.

Adoro esse teu jogo, adoro teus olhos brilhando. Tua cara pensativa ao ver um bebê. E o modo de dizer que estou fazendo tempestade em copo d'água. E quando me olha séria, arruma os óculos e diz que gosta muito de mim.

Não sei quantas vezes já te disseram que te amam. Pessoas que hoje não estão contigo. Que hoje nem te olham na cara. Nós dois sabemos: eu te amo não diz tudo. E nem precisa.

Sentir é mais importante que falar. Eu e tu, andando por aí, enfrentando o vento do outono, menina, teus olhos brilham, o nariz ( que nariz lindo, menina!) com a ponta vermelha por conta do frio. Teus três brincos na orelha direita e a tatuagem pequena. E o arrepio na nuca.



Queria que alguém me explicasse esse perfume de flores que me segue na rua, o tempo todo, em pleno outono. Tudo cheira a flores, o mundo todo.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Diálogo

Não tá certo tu te sentir assim.
Eu sei. Ah, se eu pudesse escolher como me sentir. Se eu pudesse. Mas esse sentimento é maior que eu, é mais forte. Minha mente tem portas fechadas. Ninguém que tem aberto consegue entender.


Eu estou aqui. Longe, mas aqui.

Longe, longe, do meu lado.
Não sei se fico feliz ou triste com isso.

Só queria saber.

A escolha é tua. Tu que decide como quer se sentir. Não tem nada a ver com você. As escolhas de outr'alguém não tem nada a ver com você. Nada.


Não sei. Queria saber. Se ela soubesse como foi difícil. São 23 anos. 18 sem ela. Sinto falta. Foi dificil. É até hoje.

Eu não serei hipócrita de dizer que imagino tua dor. Só você sabe.

Stay alive. Seguimos essas duas palavras. Um dia dá. Seja lá o que eu quis dizer com isso.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Um dia, menina

um dia é muito tempo sem você.



Menina linda. Tu te atrasou hoje. Foi de propósito, ficou ali, atras da árvore me observando, disse depois. Quase fiquei fulo com teu atraso, mas teu sorriso me desarma. Teu sorriso de promessas. Teus dentes alinhados e brancos, pequenos dentes alvos. Protegidos por esses lábios pequenos, vermelhos, doces.

Sempre que fico longe de ti, fico lembrando tudo que fizemos, tudo que te disse e cada expressão tua. Como consegue mudar tão rápido, de um olhar triste pela criança sozinha na rua, e logo depois ter esses mesmos olhos castanhos brilhando por um sorvete?

Já disse que sorrio só de lembrar como tu ajeita teus óculos?

E como gira o anelzinho que tens na mão direita quando está nervosa? E teu ciúme velado ao me ver falando com outra mulher qualquer?

E quando lembro da tua cintura, cinturinha de pilão, menina. Gosto do teu braço, do teu abraço. Do toque da tua pele. Macia, quente, cheirosa.

Gosto muito de você, guria.


Tenho estado tão leve ultimamente que creio não estar deixando pegadas no chão. Já contei que ainda não lavei o casaco que tu usou no cinema, quando sentiu frio? É, aquele xadrez. Ficou teu perfume dele, não quero esquecer esse cheiro tão cedo. Um misto de prazer e dor, é o que sinto quando aspiro fortemente ele. Prazer por que é teu cheiro, e dor, porque não está comigo.



Eu preciso de ti essa noite. E sei que também precisa de mim. Pra fazer um cafuné até dormir. Pra sentir tua cabeça apoiada no meu ombro e aspirar teu perfume. Pra retirar teus óculos e te ver dormindo, sorrindo. Comigo. Essa noite. Só essa. E todas as outras também, menina.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Menina II

Me encontro contigo. Numa rua qualquer, estamos menina. Estou sentado te esperando, e antes mesmo de te ver, sinto teu perfume. O perfume dos teus cabelos que o vento me traz. Esse vento outonal, que teima em bagunçar teus cabelos, sempre soltos. Teus olhos brilham e me sinto leve.


Vamos a algum lugar, tomar um café, conversar, pra que eu possa roçar minha mão na tua.
Ver teu rosto afoguear, ficar vermelha, cada vez que te olho nos olhos. E te olho frequentemente. Poderia passar o tempo todo te olhando.

Nossos tênis ainda estão trocados, mas é como se fossem nossos, me sinto confortável com teu allstar azul. Com tua mão na minha.

Gosto do vento. Do outono. Do teu sorriso, e do jeito como tiras o açúcar que fica no canto da boca, quando a gente come um churros. Tua cara de impaciente ao me ver sorrindo pra tudo que tu faz. Sou assim. As vezes sou bobão. Palavras tuas, claro.


Mais um encontro nosso, ao sabor do vento, com teus cabelos caprichosamente desgrenhados, tua mão roçando meu queixo barbado, menina. O calor do tua pele ao te encolher junto a mim, num pôr-do-sol do Guaíba.
Tuas surpresas pra mim, como o bilhetinho no bolso do casaco. Ou a sms de manhã cedo, me lembrando do remédio.


Teus lábios, menina. Teu beijo doce. Bombas de beijo.
E não finja, sei que tu acha um charme o jeito que eu jogo a fumaça do cigarro. Eu vou parar, prometo, menina.

Estive em casa, depois do nosso ultimo encontro, a cidade parecia tão bela, através da janela, a cidade tomada de alegria. Estive pensando, pensei em ti. Imaginei teu corpo por baixo da roupa. Embaixo, um par de pulmões limpos, brancos, como devem ser. E decidi. Vou parar.

Se tu deixar, vou fazer a cidade ficar bela todos os dias.
E não minta, eu vi teu sorriso ao aceitar a margarida que te ofereci. A margarida solitária que te dei, tão bela quanto tu, na primeira vez que te vi, no inicio desse outono. Naquele parque, naquele sol.

Não sei, não sei. Faz pouco menos de 10 minutos que te deixei no portão de casa e já sinto saudade.

Até amanhã, menina.

Menina

Estamos prontos pra cair na estrada, coração???



Com vontade. De ver, viver. Tocar tua pele, te beijar. Tu que ainda não saiu dos meus sonhos. E que deve estar agora, deitada na tua cama, rolando, talvez sorrindo ao ler uma besteira qualquer. Sim, sei que tu tem um humor fácil. Fácil é teu sorriso, fácil é te ver balançando os cabelos ao rir.


Teu sorriso ao me ver desafinando,( que eu desafino até cantando parabéns a você) e ver minha falta de tato com as crianças. Ao te ver abaixando a cabeça e sorrindo. estou bem. Estamos bem. Sorrindo. Seguindo. Pego na tua mão, mesmo sabendo que vai doer quando tu soltá-la, eu pego na tua mão e vamos passear.


Sinto teu perfume, o cheiro dos teus cabelos. A tua pele macia, teu jeito ao ajeitar os óculos.


Me sinto leve e feliz ao passear ao teu lado, e apesar de sermos normais (somos?) chamamos atenção ao passar pelos outros. Talvez pela felicidade estampada no rosto ou pelo All-Stars trocados (teu direito preto que é meu e eu com um direito azul que é teu).


Paramos numa esquina. Sinta proximidade do calor dos teus lábio, doce menina.



Sinto teu hálito,
sinto tua cintura
teus cabelos esvoaçando.