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sábado, 4 de junho de 2011

Nó

Um nó na garganta.
Como se tivesse uma corda no pescoço
tento esquecer


tento seguir.
Mais forte que eu.
Tem sido.


Martelando sem parar dentro de mim.
Essa dor.
Pelos erros.
Pelo choro.
Pelo erro.


Pelas escolhas e pela dor.
Tantos erros.

Quando não se sabe aonde ir, qualquer caminho leva ao destino.
E
mesmo em sonhos
me vem a mente
a imagem



a mesma imagem
de
sempre.


Um corpo
balançando
numa árvore.


Corda no pescoço.
Eu não escolhi.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Hurt

Machuquei a mim mesmo. Mesmo antes de ter machucado.

Sou pouco. Sou um filho da puta, um idiota mentiroso.
Mereço morrer sozinho e velho.
Pra ter bastante tempo pra sofrer.
Foram essas palavras que ouvi da tua boca.
Pouco antes de me chamar de novo de filho da puta e dizer que me odiava.
Eu não queria ser assim.
Não é culpa minha. Sério.
Talvez Freud explique.
Queria voltar a ser criança.
Fiz sempre tão pouco. Sempre tão frágil por dentro.
Como um castelo de cartas.
Como se a minh'alma pudesse desmanchar em um assopro.
E pode.
Ela se desmancha.
Se me perguntar, eu não sei.
Se me perguntar. Não fui eu.
Mas ninguém vai perguntar.
Não perca a razão, ela já não é sua.
Como meu senso de justiça
é diferente da maioria,
só queria dizer que apesar de tudo
e de tudo ter sido pouco
não foi culpa minha.


Talvez a corda no pescoço explique.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ponto

Um ponto pequeno.
Um pontinho.
Um ponto ao longe.
Um ponto, apenas.
Um segmento de reta.

Olhei tão fixamente que meus olhos marejaram
Não fazia ideia do que era esse ponto.


Apenas fiquei olhando.
Me aproximei, um imã me atraía.

Senti, sim. Havia dor no ponto.
Esse pontinho, ao longe, irradiava o mesmo que eu.


Dor e confusão.
Medo.
Assim como eu, não conseguia se mover.
A dor paralisa.

E mesmo assim, nos aproximamos.
Vi um brilho.
Talvez um brilho de lentes, não sei.

Ainda vejo esse ponto.
É verde.

Está um pouco maior agora.
É verde, sim!


É esperança.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Amanhece

Sozinho. Rolando na cama.

Agora, amanhece lá fora.
Vejo o sol nascendo no horizonte.


Ao longe.
Na linha distante do mar.
Lá
onde o mar
e o céu
se unem.


Sinto o vento sul, frio, batendo nas minhas costas.
E fico aqui, de frente pra sol nascente
o sol quase me cega.

Coloco óculos escuros.
E sinto uma dor no peito.
Sinto também a tua falta.


Tu que nunca tive.
Nunca vi.
Nunca toquei.
Tu.

Volto pra cama. Bagunçada.
Vazia. Deito e durmo.
Quase o dia todo de novo.

E quando acordo de novo, a única coisa que consigo ter forças pra pensar
em fazer

é

ir ver o sol nascer de novo.
O tempo passa.

Chorar

Chorar.
Sem motivo
sem hora marcada,
com ou sem necessidade.


Chorar.
Vez faz bem
vez que não faz.

Lágrimas gastam sal.
Choro mesmo assim.
Sinto uma vontade.
De chorar.



O sal dói nos meus lábios rachados.
Lábios sem uso.
Rachados pelo vento frio.
O vento sul, minuano.
Chorar.


Ultimamente, até sorrir tem me feito chorar.

Algo

Dor. A dor de ser culpado.

Culpado pela própria derrota. Desde sempre.
Parece cocaína, mas é só tristeza.
Tristeza. Tenho pensado em nossa tristeza.

Em nossa saída.
Que não sei onde é.
Passear na Redenção, sentar na grama do Parcão
e ver
o pôr-do-sol no Guaíba.

Ou não.
Tudo anda tão confuso.
E diferente.
Já não temos o mesmo sorriso confiante de antes.

De antes o que?
Não sei.


Ao menos sei que agora,
sinto, sei.

Sinto que alguém, aqui
me entende.
Até porque é mais fácil entender alguém igual à gente.


São tudo pequenas coisas.
E a vida é feita de pequenas coisas.

Temos um plano. Temos uma ideia.
Temos algo.

domingo, 29 de maio de 2011

Diálogo

Diálogo


eu sei, sei mesmo.
Tenho um urso, sabe? Sem nome.
Acho que vou dar teu nome a ele.
Urso?
É, daqueles de pelúcia, ora.
Durmo abraçada nele. Ele me aguenta.
Seca minhas lágrimas e não reclama da minha melancolia.
Abrace-me, menina.
Queria estar perto. Não sei de onde vêm tantas lágrimas.
Vem de dentro, da alma. Quando a alma está inundada, elas ajudam a secar.
Dá pra secar o oceano?
Sim. De gota em gota.
Demora. Sim. Mas vale a pena, pequena.


Sabe, menina... estivemos longe, longe. Aqui do lado.

Queira estar perto.
Queremos.

Um confuso entende outro confuso, porque não dá bola se não entende, entendeu?
Agora que tu me explicou, sim.

Tenho pensado muito em ti.
Eu também.
O que temos pensado?
Não sei.
Nós sabemos, no fim, não é?

Sim. Ao menos uma vez, alguém me entende.

sábado, 28 de maio de 2011

Heroína

Pronto. Encontrei meu cd do Nirvana.
Nevermind.
E agora?
O que mais falta pro suicídio?
“Uma arma”.
Não.
Heroína.
Tem heroína que salva
e
heroína que mata.

Qual delas?
Qualquer uma.
Qualquer
uma
me libertaria.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Frio

Minta. Eu minto. Todos mentimos, meu bem.


Em algum lugar, ao longe, alguém sabe o que quer da vida. E eu ainda aqui. Remoendo mágoas.
Beijos com paixão. Lembro como se fosse ontem, nossa despedida que durou quase uma semana.
Vontade.
Tínhamos vontade. Mas não conseguíamos mais. E gente sabia, não nos suportamos.
Somos iguais. E seremos sempre.

Agora eu ando só. Por aí. Ao vento. Sinto a areia da praia bater com força no meu rosto, sinto os pingos de chuva, fortes.

Estou aqui, em frente ao mar. Em maio. No frio do sul, sinto um frio tremendo, tenho os dedos gelados, quase roxos.


Tremo de frio. De dor. De medo. De saudade.


Não sei onde vou parar. Meus amigos tentam me levantar, me fazer seguir em frente, trabalhar, esquecer.

Meu erro, nosso erro foi tão marcante, que ainda não sei quando vou levantar, seguir em frente.
De repente, não sinto mais frio, mas ainda tremo. De medo, de dor. De frio.

Me pergunto porque estou fazendo isso. Esse retiro forçado, essa fuga de mim, esse ficar parado e ver a vida passar. Não sei. Acho que o frio eu posso explicar. Eu só quero sentir fora de mim um dor tão grande quanto a que sinto dentro de mim.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Viver

Quero viver. Não sei por onde começar.


Quer viver?

Comece errando. É assim que se vive.
E assim que se morre.

É assim.
Errar. Acertar. Viver.
Tantos verbos pra mim e eu sigo aqui.

Advérbio.

Re-escrevendo Mário Quintana:
Da primeira vez que tive um decepção amorosa, morreu um pedaço de mim.
Desde então, de cada vez que morro, volto menos vivo.
Um dia, uma decepção, eu não morro mais.
Eu morro pela última vez.
De vez.
E de verdade.
E um dia, morrer de vez.


Agora que já errei tanto, tá na hora de acertar.
Vou tentar.
Vou usar cada um dos meus fios de cabelo, cada célula de mim.


E vou acertar.

E vou ser feliz.

Nem que pra isso eu tenha que matar alguém.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sorte II

Já tive medo.
Já estive louco.
E já estive vivo.



Se tu descobrir onde compra sorte, me avisa.
Ainda acredito nela.

E se for um brechó, onde troquem azar e medo
por sorte e coragem.

Aceito igual. E dou um troco na troca.

Eu quis pagar pra ver.
Paguei.
O preço é alto, mas assim que tem que ser.

E vários momentos bons, se foram.


Já estive vivo um dia.

Pegadas

Estou aqui, na praia.

Acompanhado do vento. Vejo desde longe a linha trôpega das pegadas do meu allstar vermelho.


Pegadas que o vento vai apagar. Marcas que a água vai levar. Vai lavar.

Marcas que vão cicatrizar, e ficar como a cicatriz do meu dedo quebrado. Que só aparece no verão, quando estou bronzeado, e a fina cicatriz aparece.



Demorei pra perceber que um dia vai passar.
Mas vai. O que sinto hoje, talvez vá piorar.
Vou ter recaídas, vou sentir saudades, vou pensar em ligar, vou chorar sozinho,
N'algum quarto escuro e frio.


Vou andando pela praia, vendo o vento apagar meus rastros.
Vou andando pela praia, esperando que o vento apague meus erros.
Vou andando pela praia, curvado.
Vou andando.



Me aproximando do fim. De tudo.


Um dia vou ter que morrer pela última vez.